O Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto encerrou a 8 de março a sua 46.ª edição, que decorreu desde o final de fevereiro no Batalha – Centro de Cinema. O grande vencedor foi «The Dollmaker», produção argentina de José Maria Cicala, que levou os prémios de Melhor Filme e de Melhor Ator, atribuído a Rodrigo Noya.
Ao longo de cerca de dez dias, o festival mostrou perto de cem filmes de 29 países dos cinco continentes, com 31 estreias mundiais. A programação, organizada por Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira, incluiu uma retrospetiva de cinema norueguês, em parceria com o instituto de cinema da Noruega, e o regresso de títulos espanhóis, latino-americanos e asiáticos.
O palmarés internacional
- Melhor Filme: «The Dollmaker» (Argentina)
- Melhor Ator: Rodrigo Noya (Argentina)
- Melhor Atriz: Maribel Verdú (Espanha)
- Melhor Realização: Emílio Portes (México)
- Melhor Argumento: Gustavo Hernández Ibañez (Uruguai/Argentina)
- Melhor Fotografia: Chen Xian (China)
- Prémio Especial do Júri: «The Skeleton Girls» (Austrália)
- Melhor Curta-Metragem: «Señuelo» (Espanha)
- Menção Especial: «The Curse» (Japão)
Cinema português em destaque
Na competição dedicada à produção nacional, duas longas disputavam o título de Melhor Filme Português: «Paramnésia», de Tiago «Ramon» Santos, e «Cativos», de Luís Alves, que acabou por sair vencedor.
O festival manteve também a aposta nas escolas de cinema, com trabalhos de estudantes de sete instituições portuguesas. O prémio da competição de escolas foi para «Os Terríveis», de João Antunes, da Universidade Lusófona, uma curta sobre dois irmãos, Franco e Agostinho, unidos pela violência e confrontados com a escolha entre a vingança e a rutura com esse ciclo. A menção honrosa coube a «Cama de Lavado», de Maria Lima, da Universidade Católica do Porto.
Mais público, mas pedidos de mais apoio
A edição de 2026 registou um aumento de 20% no número de espectadores. Ainda assim, Beatriz Pacheco Pereira alertou que o crescimento do festival depende de mais recursos, referindo que o apoio atual do ICA ronda os 36 mil euros. A diretora adiantou que a edição de 2027 já está a ser preparada e que um próximo concurso do ICA definirá o financiamento para os três anos seguintes.
Se houver condições financeiras, a organização pretende alargar o festival a outras salas do Porto, como o Teatro Municipal Rivoli e o Cinema Passos Manuel, para lá do Batalha.
O que significa para os talentos
O Fantasporto continua a ser uma montra importante para o cinema de género e para os novos realizadores formados nas escolas portuguesas. Para atores em início de carreira, as curtas de escola premiadas no festival são muitas vezes a primeira oportunidade de trabalhar com realizadores que, poucos anos depois, avançam para longas-metragens. Acompanhar estes nomes, e as escolas de onde saem, é uma forma inteligente de construir uma rede de contactos no setor.
Fontes: DNoticias, Observador, RTP Notícias, Universidade Lusófona

