A 15.ª edição dos Prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema, teve um vencedor incontestado. Na cerimónia de 15 de maio de 2026, realizada no grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com transmissão na RTP2 e apresentação de Inês Lopes Gonçalves, «Banzo», de Margarida Cardoso, arrecadou dez troféus, entre eles os de Melhor Filme e Melhor Realização.
O resultado confirma o favoritismo com que o filme chegou à gala: era o título com mais nomeações, 14 no total, à frente de «Lavagante», com nove, e de «A Memória do Cheiro das Coisas» e «Sonhar com Leões», com oito cada.
Um retrato do colonialismo que convenceu a Academia
Passado em 1907 numa ilha tropical africana, «Banzo» acompanha um médico que chega ao território para tratar trabalhadores escravizados atingidos por uma doença conhecida como banzo. O filme olha para a relação violenta entre colonos portugueses e a mão de obra negra forçada, num exercício sobre a herança colonial e o trauma. A produção é de Filipa Reis.
Além das duas distinções principais, a longa-metragem venceu em várias categorias técnicas e artísticas:
- Argumento Original (Margarida Cardoso)
- Atriz Secundária (Cirila Bossuet)
- Fotografia (Leandro Ferrão)
- Montagem (Pedro Filipe Marques)
- Som (Evelien Molen, Jaap W. Sijben e Vincent Sinceretti)
- Direção Artística (Artur Pinheiro)
- Efeitos Especiais (Arnaud Chelet e Filipe Pereira)
- Banda Sonora Original (Rutger Zuydervelt)
Os restantes vencedores
Nas categorias de interpretação principal, os prémios foram para José Martins, por «A Memória do Cheiro das Coisas», e para Joana Santos, por «On Falling». Nuno Lopes venceu o Sophia de Ator Secundário com «Lavagante», filme que também levou o prémio de Argumento Adaptado, assinado por António-Pedro Vasconcelos e Mário Barroso.
Esta edição estreou duas novas categorias: Melhor Filme de Comédia e Melhor Filme Ibero-Americano. A primeira distinção de comédia foi para «Sonhar com Leões», de Paolo Marinou-Blanco.
No documentário, «A Mulher Que Morreu de Pé», de Rosa Coutinho Cabral, foi eleito a melhor longa. «As Meninas Exemplares» destacou-se no guarda-roupa, com Luísa Pacheco, e na caracterização, com Nuno Esteves «Blue» e Teresa Dias. A canção «Tempo», de «O Ancoradouro do Tempo», venceu a Melhor Canção Original e «Casa-Abrigo», de Márcio Laranjeira, foi considerada a Melhor Série.
Nas curtas-metragens, os vencedores foram «Tapete Voador», de Justin Amorim (ficção), «Cão Sozinho», de Marta Reis Andrade (animação), e «Estava Escuro na Barriga do Lobo», de Joana Botelho (documentário).
Homenagem a Rui Mendes
A noite incluiu ainda o Prémio Sophia Carreira, entregue ao ator Rui Mendes, de 88 anos, cujo percurso nos palcos começou em 1956 e se prolongou por inúmeros trabalhos no cinema e na televisão.
O que significa para os talentos
Os Sophia de 2026 mostram a força de um cinema português que aposta em temas históricos exigentes e em equipas técnicas internacionais, mas também na comédia e na ficção televisiva. Para atores, figurantes e produtoras, a mensagem é clara: produções de época como «Banzo» exigem elencos numerosos e diversos, e o reconhecimento da Academia tende a dar visibilidade a quem nelas participa, do protagonista ao último papel secundário.
Fontes: Magazine HD, Observador, Diário de Notícias
Imagem: Szilas / Wikimedia Commons, CC0

