O ano de 2026 começou com uma pergunta antiga para o cinema português: conseguirá reconquistar o público nas salas? Em 2025, mais de 50 filmes portugueses estrearam no país, mas reuniram apenas 2,3% dos espectadores, num total de 218 572 entradas até novembro, com «O Pátio da Saudade» na liderança, com 69 562 espectadores. A nove meses de distância, o balanço de 2026 mostra um ano mais animado, sobretudo graças a duas produções populares lançadas no verão.
Um primeiro trimestre de autor
Os primeiros meses foram marcados por uma vaga de pelo menos dez estreias nacionais, com forte peso do cinema de autor e do documentário. Entre elas:
- «Os Enforcados» (1 de janeiro), thriller do brasileiro Fernando Coimbra em coprodução portuguesa, com Pêpê Rapazote no elenco
- «Primeira Pessoa do Plural» (19 de fevereiro), de Sandro Aguilar, com Albano Jerónimo e Isabel Abreu
- «Terra Vil» (26 de fevereiro), primeira longa de Luís Campos, com Lúcia Moniz e Rúben Gomes
- «Maria Vitória» (5 de março), estreia de Mário Patrocínio na longa-metragem, sobre uma jovem futebolista numa aldeia isolada
- «C’est pas la vie en rose» (12 de março), de Leonor Bettencourt Loureiro, sátira sobre a Lisboa gentrificada
- «Bulakna» (19 de março), documentário de Leonor Noivo sobre mulheres filipinas emigradas para o trabalho doméstico
Em abril chegou «Projecto Global», de Ivo M. Ferreira, que somou 9208 espectadores e liderava a lista de filmes portugueses mais vistos do ano no início de agosto.
O verão de «Playback»
A viragem deu-se a 6 de agosto, com a estreia de «Playback», de Sérgio Graciano, em 55 salas. O filme sobre o músico Carlos Paião, produzido pela Caos Calmo e com argumento de Mário Cenicante, tem Rafael Ferreira no papel principal, escolhido entre mais de 200 candidatos. Laura Dutra, Beatriz Brás, Rita Durão, Anabela Moreira e Albano Jerónimo completam o elenco, e a banda sonora é de Paulo Furtado, The Legendary Tigerman.
Logo no primeiro fim de semana, «Playback» reuniu 11 190 espectadores e ultrapassou «Projecto Global». A 9 de setembro, ao fim de cinco semanas, contava 40 719 entradas.
Santo António rouba a liderança
Em setembro foi a vez da comédia «Santo António – O Casamenteiro de Lisboa», de Ruben Alves, com Rita Blanco, Joaquim Monchique, Ana Bola, Maria Rueff, João Catarré e Joaquim de Almeida. A história de dois funcionários municipais que defendem os tradicionais casamentos de Santo António face a uma empresa francesa foi o filme mais visto em Portugal no fim de semana de estreia, de 10 a 13 de setembro, com 40 905 espectadores em apenas quatro dias, superando o total que «Playback» tinha acumulado em cinco semanas.
O que ainda pode chegar
A distribuidora NOS Audiovisuais anunciou para 2026 outros títulos nacionais, como «Asas», de Ana Rocha de Sousa, «Pai Nosso – Uma Sátira Sobre os Últimos Dias de Salazar», a animação «Viana» e «O Degelo», ligado à banda Capitão Fausto. Num mercado em que o número total de espectadores caiu 2% no primeiro semestre, segundo dados do ICA, o comportamento destas estreias será decisivo para o balanço final.
O que significa para os talentos
O sucesso de «Playback» e de «Santo António» prova que o público responde a histórias portuguesas com elencos fortes e reconhecíveis. Para atores, a escolha de um protagonista entre mais de 200 candidatos lembra que um bom casting pode lançar uma carreira. Para figurantes e produtoras, comédias e biografias musicais com grandes cenas de grupo significam rodagens com muita gente em cena.
Fontes: Diário de Notícias, RTP Notícias, RTP Notícias, DNoticias, Magazine HD, Magazine HD, Forbes Portugal

