O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer assinalou 30 anos com uma edição recorde. Entre 18 e 26 de setembro, o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa receberam mais de 11.500 espectadores, um crescimento de 53% face a 2025, segundo o balanço da organização. Foram 67 sessões em nove dias, nove delas esgotadas, e 38 convidados internacionais.
«La Gradiva» conquista júri e público
A grande vencedora foi «La Gradiva», da francesa Marine Atlan (França/Itália, 2026), que somou o prémio de Melhor Filme da Competição de Longas-Metragens ao Prémio do Público. O júri destacou a viagem do filme por uma Itália contemporânea e o modo como toca na fragilidade humana.
- Melhor Documentário e Prémio do Público: «Corren las Liebres», de Lorena Ros (Espanha), distinção de 3 mil euros associada à RTP2; menção especial para «Baby Jackfruit Baby Guava», de Nông Nhật Quang;
- Competição Queer Art: «Nuestro Cuerpo Es una Estrella que Se Expande», das mexicanas Semillites e Tania Hernández Velasco;
- Melhor Curta-Metragem: «Je veux qu’on se souvienne de nous», de Hélène Giannecchini (França); Prémio do Público para «Xylella Fastidiosa», de Thomas Colineau;
- Competição In My Shorts (escolas de cinema europeias): «Ãsheghetam», do coletivo Filmsaaz (França/Suíça/Irão).
Uma edição de aniversário
A 30.ª edição apresentou 94 filmes, com 118 realizadores representados e um orçamento de 150 mil euros. A abertura coube a «The Man I Love», de Ira Sachs, e o encerramento a «Tangles», de Leah Nelson. Para celebrar as três décadas, o festival organizou uma retrospetiva de 19 títulos em oito sessões duplas temáticas, muitos deles recentemente restaurados e exibidos pela primeira vez no certame.
O cinema português marcou presença em várias frentes:
- «Nothing Left», primeira longa de ficção de André Godinho, em estreia mundial na Competição Queer Art, uma distopia especulativa sobre pessoas queer em luta pela sobrevivência;
- «Fatucha Superstar – Ópera Rock… Bufa» (1976), de João Paulo Ferreira, clássico do cinema underground português exibido em cópia restaurada na retrospetiva;
- a curta de Rita Barbosa apresentada internacionalmente como «The Hour of the Star», comédia em que uma influencer em apuros, interpretada por June João, se cruza com um gatinho com superpoderes.
Depois de Lisboa, o Porto
As curtas premiadas voltaram a ser exibidas a 1 de outubro, com entrada livre, e a organização já prepara o Queer Porto 12, com inscrições para voluntários abertas até 11 de outubro.
Representação no ecrã e atrás dele
O recorde de público confirma o interesse por histórias e personagens LGBTQIA+ e pelo cinema que lhes dá voz. Para atores e atrizes, isso traduz-se em papéis mais diversos e em produções que procuram elencos autênticos e representativos. Festivais como o Queer Lisboa são também pontos de encontro entre realizadores, produtores e intérpretes, onde se formam as equipas dos próximos filmes.
Fontes: Queer Lisboa – vencedores, Queer Lisboa – programação, Queer Lisboa – notícias

