A 83.ª edição do Festival de Cinema de Veneza decorreu entre 2 e 12 de setembro de 2026, sob a direção de Alberto Barbera, com Ink, de Danny Boyle, na abertura e a atriz e realizadora Maggie Gyllenhaal a presidir ao júri. Tal como aconteceu em Cannes, Portugal não teve nenhum filme na competição principal. A presença nacional ficou limitada a uma coprodução e a um título histórico restaurado em Lisboa.
«The Difficult Bride», com produção da Midas Filmes
Na secção Orizzonti, dedicada às novas tendências, foi apresentado The Difficult Bride, da realizadora Rubaiyat Hossain. O filme junta Bangladesh, França, Noruega, Portugal e Alemanha, através das produtoras Les Films de l’Après-Midi, Midas Filmes, Khona Talkies, Barentsfilm e Tandem Productions. Segundo a Screen Daily, trata-se do primeiro filme do Bangladesh a passar em Veneza.
A história segue uma noiva de uma família privilegiada de Daca sujeita a intensos rituais de beleza antes do casamento, num registo que cruza o terror psicológico e corporal com uma reflexão sobre a autonomia das mulheres. A contribuição portuguesa vai além do financiamento: a direção de fotografia é de Leonor Teles, realizadora e diretora de fotografia portuguesa.
Um clássico de Flora Gomes restaurado pela Cinemateca
Na secção Venezia Classici, dedicada a restauros, foi exibido Udju azul di Yonta, de Flora Gomes, filme de 1992 com 98 minutos, coproduzido pela Guiné-Bissau, Portugal, França e Reino Unido. A cópia restaurada é da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, o único título com participação portuguesa nesta secção.
Ausências nas secções paralelas
As restantes secções também não tiveram representação portuguesa. A competição de curtas-metragens Orizzonti, escolhida entre cerca de 2500 candidaturas, não incluiu nenhum filme nacional, e as Giornate degli Autori, onde Cláudia Varejão venceu em 2022 com Lobo e Cão, também não tiveram títulos portugueses na seleção deste ano. A Midas Filmes manteve, ainda assim, ligação ao festival como distribuidora em Portugal de dois títulos aí apresentados: Succederà questa notte, de Nanni Moretti, e Imperium, de Sergei Loznitsa.
Os vencedores
O Leão de Ouro foi para Kvinde Ukendt (Woman Unknown), de May el-Toukhy, a única mulher entre os 21 realizadores em competição. O Grande Prémio do Júri distinguiu Possible Love, de Lee Chang-dong, e o prémio principal da secção Orizzonti coube a Un détour par Diane. The Difficult Bride não figurou entre os premiados.
O que significa para os talentos em Portugal
Veneza 2026 confirma que, em anos sem longas portuguesas selecionadas, a presença nacional passa pelas coproduções e pelo trabalho dos técnicos. O caso de Leonor Teles mostra que profissionais portugueses podem integrar equipas internacionais em funções-chave. Para atores, atrizes e figurantes, estas parcerias são um lembrete de que muitos projetos com capital português são rodados e pensados para mercados internacionais, o que valoriza perfis com experiência em produções estrangeiras e domínio de línguas.
Fontes: Observador, Screen Daily, Visit Venice Italy, Magazine HD, Open, Sky TG24

